terça-feira, 9 de maio de 2017

Separamos... E agora?


Ser pai é uma das experiências mais memoráveis pelas quais um homem pode passar. É algo ao mesmo tempo emocionante, desafiador, apaixonante e, por que não, assustador.

Acontece que quando os nossos filhos nascem, a mãe está lá. Ela está lá para amamentar de madrugada, está lá para acalmar o choro, está lá para suprir todas as necessidades daquele pequeno serzinho que depende tanto dela. E o pai? O pai, na grande maioria das vezes, é um suporte, é quem segura as pontas de todo o resto pra mãe se dedicar aos filhos. O problema é que, enquanto a mãe aprende a ser mãe desde o nascimento, o pai só vai aprender a ser pai um pouco depois.

Já o pai nem sempre é PAI quando o casal se separa. E aí, meus amigos, o bicho pega. Inúmeros são os casos de pais que nunca trocaram uma fralda, que nunca deram a papinha, que nunca pentearam o cabelo, passaram pomada. E isso pode fazer uma diferença tremenda após a separação.

Quando um casal se separa, e foi assim no meu caso, o primeiro medo do pai é deixar de ver os filhos. Convenhamos que muitos sujeitos nem fazem questão de ver os filhos após a separação, mas esse blog não é feito para esses caras. Esse blog é feito para pais, aqueles que amam seus filhos acima de tudo nessa vida, e tenho certeza que se você está lendo é um deles.

Esse medo de perder a minha filha, de deixar de conviver com ela, de talvez vê-la apenas alguns dias pré-agendados, me fez repensar toda a paternidade de forma geral. Me fez analisar meus erros, me fez dar valor a pequenas coisas, tudo aquilo que sentimos quando estamos prestes a perder algo que amamos muito. E esse post é para você, que acabou de se separar e ainda está meio perdido, ou mesmo para você que já se separou faz tempo e ainda não conseguiu entender direito o que está acontecendo.

Ver menos os filhos após a separação é inevitável, a  não ser que você tenha a sorte de permanecer com a guarda. Segundo dados do IBGE em 2016, o Amapá, que é o Estado que mais concede guarda aos pais no país, o fez em apenas 12,9% dos casos. Em Sergipe a guarda permaneceu com as mães em 91,4% dos casos. Assim, a questão é: como melhorar a qualidade do (pouco) tempo que passamos com nossos filhos?

Divirta-se com eles.

É, simples assim. Divirta-se. 

Se divertir não é deixar de educar, não é fazer tudo o que a criança quer, não é dar tudo o que a criança pede. É proporcionar aos filhos momentos únicos e inesquecíveis, da forma mais simples possível. 

Tem um zoológico na sua cidade? Bata cartão. Tem uma área rural? Leve pra ver os cavalos, as vacas. Tem um parque? Leve pra correr, jogar bola, dar comida pros pombos. Leve pra tomar um café na padaria. Leve no parquinho, corra, brinque, canse. Ande com eles nos ombros até não aguentar mais. E em qualquer lugar, na rua, no parque, no zôo, no shopping. Nunca se canse, nunca tenha vergonha.

Falta de dinheiro não pode ser desculpa. A maioria das coisas que as crianças mais querem fazer na vida é de graça. A maioria das brincadeiras que as crianças querem fazer com os pais não custa um centavo.

Minha relação com a minha filha melhorou muito depois da separação. Por incrível que pareça, estamos muito mais ligados hoje do que quando eu morava na mesma casa que ela. Engraçado isso, né? Mas faz todo o sentido. Todos os momentos que eu perdi enquanto morava com ela faço questão de aproveitar duas vezes mais agora que não moro. Não deixei de educar, não deixei de dar bronca, não deixei de ensinar. Apenas comecei a me divertir mais.

Sabe aquele cansaço no fim do dia? Você não tem mais direito a ele. Sabe aquela falta de tempo por causa do trabalho? Você não tem mais direito. Sabe aquela preguiça de ir até um lugar que, se for ver bem, nem é tão longe? Você não tem mais direito. Sabe aquela desculpa de "não sei trocar, não sei colocar pra dormir, não sei pentear o cabelo"? Esqueça, aprende, se vira.

Aja. Seja PAI com letras maiúsculas.

Não se deixe levar por mágoa da mãe ou de si mesmo. Não se deixe entristecer procurando motivos pra ter dado errado. Esquece, passou. Os grandes líderes do mundo tem uma coisa em comum: falharam em algum momento e aprenderam com seus erros a ponto de virarem referências. Falhamos em algum momento? Claro, afinal o casamento ou união não perdurou como gostaríamos. Mas isso já ficou no passado.

Agora o que resta? Chorar? Lamentar? Não, aprender e transformar isso em algo memorável pros nossos pequenos. Transformar a sua relação com seus filhos em algo que talvez nunca pudesse ter sido se continuasse casado.

Então, finalizando um post bastante longo, minha dica (que tem funcionado muito bem pra mim) é: divirta-se com seus filhos. Proporcione a eles momentos inesquecíveis que a relação de vocês ficará cada vez mais forte. 

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É pai separado? Me conte sua história e como você superou a distância ou a falta de tempo, vamos ajudar aos demais pais que estão ainda perdidos e não sabem como agir.

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segunda-feira, 27 de março de 2017

Apresentação - Manual dos Pais Solteiros


Olá pessoal, como estão? Meu nome é Thiago, sou pai e recentemente minha esposa e eu resolvemos nos separar. Até aí tudo normal, afinal relacionamentos podem não dar certo (e parece que é cada vez mais comum não darem). O problema? Exatamente o fato de eu ser pai e ter que superar aquele senso comum de que o pai se afasta dos filhos na separação.

A verdade é que, como em várias áreas da vida, uma minoria que age de forma errada passa a ser o esteriótipo de toda uma classe. No caso, aquela minoria de pais separados que abrem mão (e não digo apenas de conviver, mas de dar suporte mesmo) aos filhos na separação, é tida como o exemplo de pai solteiro, um sujeito desleixado, descompromissado, um verdadeiro bon vivant

Mas a realidade é que a imensa maioria dos pais separados sofrem, e muito, com a distância dos filhos. Eles querem ser pais, querem dar carinho, atenção, querem se dedicar à paternidade, mas nem sempre isso é possível. Por sorte eu e minha ex-esposa tivemos maturidade o suficiente para pensar no bem estar da nossa filha acima de tudo, acima das brigas, dos desentendimentos e de todo o desgaste que levou ao fim do relacionamento.

Assim, a ideia de criar esse blog é passar aos pais que estão nessa situação um pouco de esperança, pois é, sim, possível manter (e até melhorar) uma convivência saudável com os pequenos após a separação. Esse era o meu medo, esse deve ser o medo da maioria dos recém separados, mas confiem quando eu digo que pode ter sido até melhor dessa forma.

No próximo post contarei um pouco da minha vivência como pai e dos principais erros que cometi e tento, todos os dias, melhorar para compensar. 

Mergulhem comigo nesse incrível mundo dos Pais Solteiros, que pode ser tão assustador quanto fascinante. Por mais difícil que se possa acreditar.